segunda-feira, 31 de agosto de 2009

Os museus preservam, interpretam e promovem o património

Princípio: Os museus são responsáveis pelo património natural e cultural, material e imaterial. As autoridades de tutela e todos os responsáveis pela orientação estratégica e a supervisão dos museus têm como primeira obrigação proteger e promover este património, assim como prover os recursos humanos, materiais e financeiros necessários para este fim.

http://www.icom-portugal.org/multimedia/CódigoICOM_PT%202009.pdf


domingo, 23 de agosto de 2009

Definição de Museu - ICOM

(Extraído dos Estatutos do ICOM, adoptados na 16ª Assembleia Geral do ICOM (Haia, Holanda, 5 de Setembro de 1989) e alterados pela 18ª Assembleia Geral do ICOM (Stavanger, Noruega, 7 de Julho de 1995) e pela 20ª Assembleia Geral do ICOM (Barcelona, Espanha, 6 de Julho de 2001) Artigo 2º: Definições
1. Um museu é uma instituição permanente, sem fins lucrativos, ao serviço da sociedade e do seu desenvolvimento, aberto ao público, e que adquire, conserva, estuda, comunica e expõe testemunhos materiais do homem e do seu meio ambiente, tendo em vista o estudo, a educação e a fruição.

(a) A definição de museu supracitada deve ser aplicada sem quaisquer limitações resultantes da natureza da entidade responsável, do estatuto territorial, do sistema de funcionamento ou da orientação das colecções da instituição em cauda.

(b) Para além das instituições designadas "museus", são abrangidos por esta definição:

(i) os sítios e monumentos naturais, arqueológicos e etnográficos e os sítios e monumentos históricos com características de museu pelas suas actividades de aquisição, conservação e comunicação dos testemunhos materiais dos povos e do seu meio ambiente;

(ii) as instituições que conservam colecções e expõem espécimes vivos de vegetais e animais, tais como jardins botânicos e zoológicos, aquários e viveiros;

(iii) os centros científicos e planetários;

(iv) as galerias de arte sem fins lucrativos; os institutos de conservação e galerias de exposição dependentes de bibliotecas e arquivos;

(v) as reservas naturais;

(vi) as organizações internacionais, nacionais, regionais e locais de museus, as administrações públicas que tutelam museus de acordo com a definição supracitada;

(vii) as instituições ou organizações sem fins lucrativos que desenvolvem actividades de conservação, investigação, educação, formação, documentação e outras relacionadas com museus e museologia;

(viii) os centros culturais e outras instituições cuja finalidade seja promover a preservação, continuidade e gestão dos recursos patrimoniais materiais e imateriais (património vivo e actividade criativa digital);

(ix) quaisquer outras instituições que o Conselho Executivo, ouvido o Conselho consultivo, considere como tendo algumas ou todas as características de um museu, ou que proporcione aos museus e aos profissionais de museus os meios para a investigação na área da Museologia, da educação ou da formação.



Francês: http://icom.museum/definition_fr.html

Inglês:
http://icom.museum/definition.html

domingo, 16 de agosto de 2009

Evolução Histórica do Conceito de Museu

A partir da aplicação do termo "museum", referindo-se a primeira vez no século XVI a uma colecção, pretendemos analisar o conceito de museu como uma realidade dinâmica que continua a desenvolver-se até aos nossos dias.
Actualmente, existe uma forte crise de identidade no seio da instituição museística, cujos canais se vão definindo nas novas políticas culturais que apostam na protecção, conservação e defesa do património mundial.
Do ponto de vista etimológico, a palavra museu provém do grego “mouseion[1] que se aplicou na Alexandria à instituição fundada por Ptolomeu. No mundo romano o termo “museum” designava uma vila particular onde teriam lugar as reuniões filosóficas, presididas pelas musas.
Por outro lado, em 1727 aparece o termo “Museographia[2] que é o título de uma obra cujo autor, Neickel, redigiu em latim para assegurar a sua difusão em toda a Europa.
Foi um tratado teórico onde vinham uma série de orientações sobre classificação, ordenamento e conservação das colecções.
Também podemos encontrar referências concretas sobre a forma das salas de exposição, a orientação da luz, a distribuição dos objectos artísticos e dos espécimes de história natural.
Estas salas, além de cumprir a função de exposição, consideravam-se como o lugar mais adequado para a investigação. Por esta razão, se contempla a existência de uma grande mesa central onde se podia examinar cada um dos objectos, podendo-se auxiliar de um importante repertório bibliográfico existente na própria sala.
Estes lugares tinham um carácter quase sagrado e eram considerados como um símbolo da identidade cultural de um povo. Ia-se aos museus para admirar e contemplar obras de arte.
Esta visão romântica do museu não se deveria perder, pois constitui a essência do mesmo e podemos cair no extremo oposto perante a vista de uma obra de arte.


HERNÁNDEZ, Francisca Hernández, Manual de Museología, Madrid, Editorial Sintesis, 1998.
[1] - Do grego. mouseïon, «museu», pelo latim. museu-, «museu; biblioteca»)
[2] - Do gr. mouseïon, «museu» +gráphein, «descrever» +-ia)

domingo, 9 de agosto de 2009

Formação do Museu - Da Colecção ao Museu

Abordar o processo de constituição do Museu, numa tentativa de encontrar as suas raízes, observamos que a sua colecção ou colecções são o que lhe infere singularidade e, em definitivo, razão ontológica.

Com base neste facto, acreditamos que é adequado para iniciar este estudo, fornecer uma visão geral da história da colecção.
Entendemos por "colecção" o conjunto de objectos que temporária ou permanentemente estão fora da actividade económica, sujeito a uma protecção especial a fim de ser exposto ao olhar dos homens.

Sobre esta definição, pode-se dizer que a colecção tem vindo a desenvolver-se ao longo de todas as etapas históricas, considerada como a origem dos museus.

É evidente que o acto de coleccionar obras de arte é tão antigo quanto a noção de propriedade individual e tem sido fomentado por todas as culturas e instituições.
Assim, faraós, imperadores, monarquias e igrejas reflectem as suas diferentes motivações de ordem política, religiosa ou prestígio social, quando se trata de reunir as suas colecções.
Paralelamente a este coleccionismo institucional ou público, tem-se desenvolvido um coleccionismo privado e particular (Cooper, 1963).
Existem muitas causas que deram origem ao coleccionismo, mas iremos resumi-las em quatro:
1. respeito pelo passado e pelas coisas antigas;
2. o instinto de propriedade;
3. o verdadeiro amor à arte;
4. coleccionismo puro.

HERNÁNDEZ, Francisca Hernández, Manual de Museología, Madrid, Editorial Sintesis, 1998.